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Estados apertam fiscalização sobre segurança em boates

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Treinamento da Harpia de Fogo: legislação não tem fiscalização rigorosa – Foto: Joel Rosa

Pouco mais de uma semana depois da tragédia da boate Kiss, em Santa Maria (RS), provocar comoção popular e despertar o interesse público da passividade diante do ‘jeitinho brasileiro’, a segurança das casas noturnas passou a ser pautada como o terror da noite, o assunto do momento que de fato é o mais comentado que qualquer posse presidencial dos últimos anos.

Contudo, tais normas técnicas que deveriam ser primordiais em prol da segurança passaram a ser questionadas e uma verdadeira ‘caça às bruxas’ tomou conta do poder público, que condena e tenta confortar a dor de cada perda da tragédia no sul do país.

Para o consultor na área de segurança do trabalho, José Antunes, o Brasil possui normas de segurança que não estão sendo cumpridas com o peso exigido. “O Brasil é bom em normas técnicas, porém não são cumpridas com rigor, principalmente por empresas que não querem ter custos”, falou. Ele faz parte do Centro de Treinamento Harpia de Fogo, que ontem apresentou novidades em equipamentos de combate a incêndio.

Países como Estados Unidos e Israel utilizam parâmetros de segurança em boates similares ao Brasil, cujos alvarás são expedidos por órgãos ligados à prefeitura, onde o trânsito dessas concessões depende também de parecer do Corpo de Bombeiros. Assim como cada prefeitura brasileira, nos EUA a legislação varia de estado para estado, condado para condado e cidade para cidade.

Ainda de acordo com Antunes, a política de segurança de outros países segue um padrão baseado em experiências adquiridas em diversos momentos na sua história. “Falta atendimento, fiscalização e treinamento necessário. O Brasil não tem uma cultura de segurança, outros países adotaram a técnica de tentativa e erro, ou seja, você aprende caindo, aprenderam de acordo com catástrofes naturais e tragédias do tipo. O governo brasileiro está adotando essas atitudes agora, no intuito de minimizar o perigo”, completou.

Preparação

Casos assim como os anunciados por especialistas e a mídia trazem à tona a estrutura organizacional de cada cidade e põem em questionamento a preparação dos profissionais e da máquina pública para lidar com situações de emergência em grandes proporções como a de Santa Maria.

O instrutor de treinamentos de combate a incêndios e primeiros-socorros, Rodrigo Lucas, explicou que a excelência e eficácia durante a ação dependem de vários fatores técnicos. “Bombeiros militares de outros lugares como Brasília, São Paulo e Minas Gerais trabalham constantemente equipados, já preparados com uniformes e com equipamentos de segurança, pois só assim o tempo de resposta é menor”, salientou.

“Durante um incidente como este, deveria acontecer uma paralisação no perímetro, assim como acontece quando alguma autoridade máxima chega, pois nesse caso há segurança total, e se o mesmo esquema fosse adotado para resguardar o civil, seria um grande passo”, frisou.

Fonte: EM TEMPO Online – Foto: Joel Rosa

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